sábado, 5 de setembro de 2009

Natureza que já se foi...


"Into The Wild", este é o filme dirigido por Sean Penn que nostalgicalmente rememora aquele sentimento do homem livre, homogeinizado à natureza e em seu sentido mais puro de integração, envolvimento e respeito.
De certo que para se viver como "Alexander Supertramp"(Emile Hirsch)percorreu o caminho de sua vida, exige radicalidade. E sob este aspecto me pergunto... Viver o quê? Na radicalidade das coisas, do pensamento? Ou na moderação das mesmas coisas e dos mesmos pensamentos?
Sem dúvida na radicalidade sempre há um preço a se pagar. Radical em seus conceitos significa se chocar em outros conceitos e quem sabe em outras radicalidades. Na moderação, no equilíbrio a tranquilidade ou talvez a pseudo tranquilidade.
Necessários foram alguns milhares de anos para o homem definitivamente tomar uma postura ante à natureza. Uma natureza que já não existe mais, já foi invadida, efusivamente envolvida com ideais de riqueza. Estamos preconizando uma nova era, do desenvolvimento sustentável, do reaproveitamento das matérias.
Não sabemos exatamente como serão os próximos cinquenta, cem anos. Numa análise crua, a natureza já se foi, e está à espera de sua regeneração. E isto não ocorrerá pela própria natureza mas na regeneração do próprio homem com o que é superior a ele. O enlace perfeito entre criatura, criação está no redescobrimento do homem com sua essência há muito perdida... O olhar simples, o abraço ao natural, a natureza cada vez mais distante da nossa realidade. Comprometidos estamos com aquilo que não temos e nem sabemos se queremos! Simplesmante são nos oferecidos coisas que pseudo achamos nos tornarão mais felizes, mais vistos ou mais não sei o quê.
Distanciamo-nos cada vez mais do que é essencialmente belo, essencialmente sublime... Da pureza do relacionamento entre o homem e os outros seres.
Sob o aspecto da arte, Benjamim Franklin diz que quando há a reprodução (industrial) há a perda da "aura", da originalidade. A natureza ainda está presente o que já se foi é a "aura" do homem, a primeira "aura". Ainda creio na restauração, ainda creio na regeneração e no reencontro do homem com sua primeira essência. Enquanto isto não ocorre, assistimos como seria o relacionamento "radical" do homem com a natureza por meio das artes.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Acidentalmente Livres


Dia desses me pego pensando sobre o que é viver em uma sociedade coompreendidamente liberal? Em meio a este pensamento observei ícones culturais postulados como referências das pelo menos seis últimas décadas. Conceitos e palavras-chave que permearam e influenciaram o pensamento e o modo de agir em cada década.
A partir dos anos 50, era romântica, ainda assistimos a preocupação com o recato e com os bons modos, do zelo dos idosos. Surgem os rebeldes hollywoodianos como Elvis, James Dean. A forma subversiva de se viver e a liberdade antes reprimidas eclodem na década seguinte. Uma década marcada por guerras e revoluções. Os anos 60 conclusivamente narra a trajetória do homem livre. Movimentos por libertação, pela paz! Ainda que não sei saiba exatamente qual?
Vagueando pelo anos 70, são surtidos os efeitos pós-revolução. Período das "discous" pipocando, uma nova geração livre surgindo, frutos de um movimento digamos assim, pró-liberdade.
No Brasil, anos 80, a estilização do poder. Década em que literalmente assistimos por meio das novelas os que são e os que não são. O brega e o chic. Ombreiras que simbolicamente denotam o poder de classes sobre classes. Nos anos 90 inicia-se a era da individualidade. Novas tecnologias surgem, sobretudo da informação e do entretenimento que diluem progressivamente a capacidade do homem de simplesmente se relacionar.
Já no século 21, convivemos com a revolução teconológica e suas incríveis possibilidades. Possibilidades de estar e não estar, tocar e não sentir, ser e não ser. Como nos 50 nos pais ou avós eram presos a regras, tradições e costumes. Hoje o homem se prende não mais há hábitos humanos de relação mas hábitos humanos da relação entre o homem e a máquina. Um novo homem surge, o homem-máquina, o homem-cyber quase que que vazio sem o conjunto de tecnologias ao seu redor. São a sua vida, do que se alimenta e se consome e é consumido diariamente. Nela, nessas tecnologias são construídas a possibilidade ser alguém, ainda que não seja você realmente.
Expressar-se livremente, esta é a tônica do ato estar livre. Um mundo de "liberdades". Tanta liberdade que presidentes-sociólogos chamam apososentados de vagabundos. Outros que atropelam à 190 km. Empresários que sonegam e ainda outros que estão se lixando para minha ou sua opinião. São muitas as formas de liberdade que resultam em crimes sem castigo, porque sou "livre", dizer-se o que quer, porque há "liberdade".
Ocideltamente falando, vivemos num mundo de muitas "liberdades" adquiridas, ainda se indagando se somos acidentalmente livres ou cyber aprisionados? E somos livres, como diz um um certo poeta: "O que fazer com essa tal liberdade?".